Cannes 2026: o que o festival da criatividade está dizendo sobre o futuro da mídia?
- Karina Wenda Landini
- há 6 dias
- 3 min de leitura

Toda vez que junho chega, o mercado de publicidade vira os olhos para a Riviera Francesa. Não por acaso. Cannes Lions não é apenas um festival de prêmios — é um termômetro. O que se discute nos corredores do Palais des Festivals em junho costuma ditar o que as marcas vão fazer pelo resto do ano.
E, em 2026, o termômetro está fervendo.
Estivemos acompanhando de perto os debates, os vencedores e as conversas que dominaram esta 73ª edição. Três temas emergiram com força, e todos eles apontam para uma mesma direção: a criatividade está sendo desafiada a provar seu valor em um mundo que já não se impressiona com barulho.
A IA deixou de ser novidade. Agora ela é infraestrutura.
Se em 2024 e 2025 o assunto era "o que a IA pode fazer", em 2026 a pergunta mudou para "como a IA sustenta decisões reais de negócio". As palestras e os painéis deste ano não estavam preocupados em demonstrar ferramentas novas, mas em discutir integração. Como a IA entra no fluxo de trabalho sem desumanizar a entrega. Como ela potencializa a criatividade sem substituir o olhar humano.
O que vemos em Cannes é um amadurecimento importante. As marcas que estão ganhando prêmios não são as que usam IA por usar. São as que usam IA com intenção estratégica, mantendo a emoção humana no centro da narrativa. A tecnologia virou meio, não mensagem.
Atenção real virou a única métrica que importa.
Outro tema que dominou o festival foi o fim da era das impressões vazias. Diversos painéis discutiram como o mercado está migrando de métricas de volume para métricas de atenção e sentimento. E isso tudo não está só discurso, as plataformas já estão se movendo. O Instagram prioriza o tempo de rewatch. O TikTok enterrou o contador de views como indicador principal.
Uma das falas que mais nos marcou veio de um dos keynote speakers: "setenta por cento dos anúncios considerados visíveis são completamente ignorados". O dado é um soco no estômago de quem ainda compra mídia olhando apenas para alcance.
O que Cannes nos mostrou é que a indústria está pronta para abandonar de vez o Lazy Reach. A pergunta agora não é "quantas pessoas viram", mas "quem se importou de verdade".
O criador virou protagonista, e as marcas precisam aprender a dividir o palco.
A terceira grande tendência que emergiu em Cannes 2026 foi a consolidação definitiva dos criadores de conteúdo como parte central do ecossistema de mídia. Não como prestadores de serviço, mas como parceiros estratégicos. O programa LIONS Creators, expandido neste ano com patrocínio da Adobe, deixou claro que a indústria está levando a sério essa relação.
Mas o recado mais importante foi: autenticidade não se negocia. As marcas que tentam controlar demais a narrativa dos criadores estão perdendo relevância. As que entendem que o criador conhece sua audiência melhor do que qualquer agência estão colhendo os frutos.
O que fica de Cannes 2026?
Se pudéssemos resumir o espírito desta edição em uma frase, seria: a criatividade está sendo chamada a ser mais responsável. Não no sentido de "prestar contas", mas no sentido nobre de assumir seu papel de construir conexões reais em um mundo saturado de estímulos.
Cannes 2026 não celebrou quem gritou mais alto. Celebrou quem entendeu que, às vezes, a melhor mensagem é a que encontra espaço no silêncio e, de lá, constrói algo que realmente fica. É nesse lugar que a Landini Mídia escolheu estar.


