“Vai Brasa”: o que realmente deu errado na campanha da Seleção - e o que isso nos ensina sobre presença
- Karina Wenda Landini
- há 3 dias
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A polêmica em torno da nova camiseta da Seleção Brasileira não nasceu de um erro de Design da Moda. A peça, isoladamente, cumpre o papel estético esperado. O que falhou - e falhou em cadeia - foi o design da campanha: o storytelling, o enquadramento cultural, o olhar externo tentando ler o Brasil sem vivê-lo. Um lançamento inteiro construído a partir de camadas desalinhadas da realidade local, e que acabou revelando um ponto sensível no ecossistema das grandes marcas: a distância entre dados e cultura, entre diagnóstico e presença.
O que aconteceu?
A Nike apresentou o uniforme da Copa de 2026 trazendo “Vai Brasa” como expressão central, defendida como uma síntese da energia da torcida. A designer responsável pela apresentação, Rachel Denti - brasileira que mora há quase uma década nos EUA - afirmou que o termo surgiu de uma “pesquisa cultural interna”. A narrativa era boa no papel, mas inexiste no território: “Vai Brasa” simplesmente não faz parte da linguagem da torcida brasileira.
A recepção negativa não veio apenas do termo. Pequenos detalhes ampliaram o ruído: o amarelo descrito como “canary”, expressão estrangeira para o nosso “canarinho”, destoou do discurso de “Brasil com S”. Para completar, o filme publicitário gerado com apoio de IA apostou em estereótipos já cristalizados: favela, terra batida, óculos Juliet. Um Brasil pré-formatado, idêntico ao que o imaginário global já projeta sobre nós, não o Brasil que realmente existe.
Estamos vivendo um momento em que IA acelera processos, mas não vive território. E marcas que dependem de leituras remotas para interpretar cultura correm riscos reais, especialmente no Brasil, onde a identidade é viva, coletiva, não-linear. A falha da Nike expôs a fragilidade de insights que não passam pelo corpo, pelo sotaque, pela rua.
Como isso afeta mídia, marcas e presença?
O caso escancara um problema que apontamos há anos: quando a narrativa não nasce do território, ela não conecta.
Torcedores de todo o país rejeitaram “Vai Brasa” pelo mesmo motivo que públicos regionais já rejeitam campanhas criadas nas grandes capitais e que reduzem o Brasil a caricaturas: como “Uai e pão de queijo” ou “Bah, tchê” - como se expressões regionais fossem categorias de supermercado, e não códigos vivos de pertencimento.
Na mídia, o reflexo é direto: pontos de OOH copiados da estratégia do eixo Rio-São Paulo para outras cidades, mensagens replicadas como se o país fosse um bloco homogêneo, formatos e contextos aplicados sem leitura de rua.
Quando símbolos são mal interpretados, a presença se desfaz.Engajamento cai. ROI cai. Reputação perde densidade.
O ponto de vista Landini
Para nós, o problema nunca foi o design da camiseta. Foi a falta de Arquitetura de Presença.
A Nike tentou mapear a linguagem sem viver a cultura. Assim como muitas agências ainda operam um Brasil sintetizado por dashboards e referências estereotipadas.
Mas brasilidade não é dado.Não é estatística.Não é clichê.
Brasilidade é relação, afeto e território.
A IA reconhece padrões, mas só a leitura humana, e principalmente a leitura presente, de campo capta nuance, humor, ritmo, microcódigos, fadiga, sensibilidade e camadas que fazem o Brasil ser o Brasil.
E esse é exatamente o lugar onde a Landini opera.
Nascemos do design e evoluímos para a mídia entendida como sistema, herdamos a precisão visual, a obsessão por coerência e a inteligência narrativa que nos permite transformar complexidade cultural em estratégia de presença.
A Landini navega esse cenário unindo escuta híbrida - dados e campo - para ler o digital em diálogo com o território real. Valida protótipos com comunidades locais, linguistas, torcedores e influenciadores fora do eixo, garantindo que cada decisão nasça do Brasil vivido, não do Brasil imaginado. Constrói Arquiteturas de Presença que combinam IA ética com curadoria humana, respeitando símbolos nacionais e regionais. E cria narrativas plurais, que reconhecem a multiplicidade do país em todos os pontos de contato: do OOH, ao digital, da influência à mídia tradicional.
Transformar ruído cultural em presença estratégica não é novidade para nós. É o que fazemos há 30 anos.


